domingo, 4 de julho de 2010

Os bens patrimoniais e o processo de construção de uma identidade cultural.


No dia 19 de junho do atual ano, nós da turma de Tópicos Especiais de Sergipe II acompanhados do Prof. Dr. Antônio Lidvaldo Sousa nos dirigimos ao engenho Pedras localizado na cidade de Maruim que fica na região do Cotinguiba, a 30 quilômetros de Aracaju, para a apresentação dos Seminários sobre o mesmo engenho já citado, tendo uma curta parada na residência de Dona Babe que fica localizado a três quilômetros da cidade de Laranjeiras para uma visita aos seus bens materiais moveis herdado do acervo da família Rolemberg Leite.



É sobre a importância desses bens moveis mesmo que não sendo os do engenho Pedras que eu aqui discorrerei mostrando a importância de tais para a nossa identidade.

Os bens referidos serão do Engenho Vassouras, localizado em Divina Pastora que está localizada na região leste do Estado de Sergipe (micro região do Continguiba).

A área municipal abrange 93 quilômetros quadrados onde além da sede, há dois povoados: Bonfim e Maniçoba.

Hidrograficamente, Divina está inserida em duas bacias: a do Rio Sergipe e do Rio Japaratuba. Localiza-se a 39 quilômetros de Aracaju.

O clima é megatérmico seco e sub-úmido, com chuvas de março a agosto. Temperatura média anual: 25° C. Além de ser conhecida como Terra da Fé pelo n° de peregrinações, a renda irlandesa também lhe trouxe fama principalmente depois de ter sido reconhecida como Patrimônio Nacional.

Com isso temos um maior conhecimento de onde estamos indo, mesmo que seja através da nossa mente, já que não tivemos a oportunidade de nos dirigirmos ate lá, estamos pronto para começar a desvendar um mundo que há algum tempo vem sendo esquecido, que são os engenhos e seus bens, onde antes mostravam e traduziam toda a riqueza de uma sociedade, hoje retrata todo o descaso, um lugar onde nos ajudar a pensar sobre que tipo de riquezas estava escondido por dentro desses engenhos e de suas grandes casas.

Continuando a nossa discussão a luz da citação de Dias, onde ele caracteriza os bens patrimoniais:





‘’ Os bens patrimoniais constituem, (...), uma

Ferramenta educacional importante, pois permitem

Que os jovens conheçam seu passado como forma

De compreender melhor o presente e, ao mesmo

Tempo, consolidem-se valores e se fortaleça o

Processo de construção de uma identidade cultural’’.

(DIAS, 2006, p69)

Essa passagem de Dias mostra a necessidade crescente de ocupar a lacuna existente na área de conhecimento sobre a construção da identidade cultural do povo sergipano, a partir dos patrimônios moveis do estado.

Devemos então valorizar os acervos culturais ainda existentes em Sergipe, não só apenas o acervo cultural da família Correa Dantas do inicio do século XVII, hoje pertence aos atuais herdeiros da família do engenho aqui citado, mas todas as outras formas como, por exemplo, a renda irlandesa que já foi reconhecida como Patrimônio Nacional.

Mas vocês podem estar se perguntando, para que serve tal preservação? Qual a sua importância?

A parti da descrição de objetos patrimoniais como mobiliários, utensílios de uso cotidiano e objetos pessoais temos como ferramenta a possibilidade de tratar da historia de uma sociedade.

O acervo é um documento de valorosa importância quando se refere à preservação da memória cultural de uma determinada sociedade.

Considerando esses utensílios como parte integrante e fundamental da memória, podemos ver com o acervo cultural do engenho vassoura, como eles constituem o patrimônio cultural através do acumulo de artefatos vindos de diversos lugares da Europa, que hoje podem ser visto como peças que retrata a memória de um período marcante da cultura sergipana, onde se traduz um capitulo da historia da sociedade colonial do Estado de Sergipe .

Sua mostra, de considerável relevância documental, é ponte real que liga o antigo mundo açucareiro dos engenhos a uma nova realidade social e econômica vivida na atualidade.

Pena que essa memória histórica esta retida, atualmente em mãos de uma minoria que não sabe a importância que isso traz para o seu povo, não preservando devidamente seus bens, fato que não é o caso de Dona Babe, que nos mostrou uma grande consciência ao preservar a memória de sua família através dos moveis e artefatos.

Essa noção de preservação vem ganhando força, aqui no Brasil não havia qualquer noção de patrimônio ou de bens patrimoniais no século XIX, essa política de preservação no Brasil é recente do inicio do século XX.

Pode-se dizer que no Brasil a preocupação com o patrimônio inicia-se com a chegada da Corte portuguesa ao Brasil, em 1808, mas só a partir da década de 30 do século XX é que a prática da preservação no país se estabeleceu, resultado de muitos e complexos fatores a partir dos quais se estruturaram as políticas voltadas para a proteção dos mesmos.

Em nível federal esse processo cristalizou-se através da criação do SPHAN - Serviço de Proteção do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, depois convertido em IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.



Naquela época a falta de informação e consciência sobre a importância de bens patrimoniais talvez explicasse o descaso com tais bens incluindo os engenhos, onde hoje a grande maioria se encontra em estado de abandono e degradação como no caso do Pedras, esse retrato mostra a fragilidade da legislação na proteção de bens.
A corrida para tentar salvar esses bens patrimoniais esbarra na falta de entendimento sobre a legislação de tombamento.
Se um engenho como o Pedras fosse tombado junto com seus imóveis e viesse a serem danificados, os responsáveis poderiam responder civil e criminalmente, de acordo com o decreto federal 25/37, onde as multas variam de R$ 10 a R$ 500 mil . “Nos danos irreparáveis pode haver até prisão”.





Para o arquiteto José Luís da Mota Menezes será preciso um melhor entendimento sobre a legislação de tombamento, do contrário o patrimônio ficará vulnerável à ira dos proprietários. “Há uma grande confusão sobre o objetivo do tombamento, que é o bem classificado. É estranho para muita gente saber que o seu bem vai ser tombado sem entender o seu significado”, afirmou. A percepção que se tem, segundo o arquiteto, é apenas sobre as restrições. “Eles não têm orgulho de saber que o seu bem é especial e por isso foi classificado. Acho que falta um melhor esclarecimento por parte dos órgãos e uma flexibilização quanto às restrições”, ressaltou.
Caso essa idéia apontada por José Luís da Mota fosse voltada para a população gerando um melhor esclarecimento para sensibilizar a comunidade do entorno dos bens com o objetivo de construir conceitos sobre valores, cultura, patrimônio, preservação e educação patrimonial, tornando-os parceiros e agentes multiplicadores no processo de preservação do patrimônio e na formação de uma consciência cultural, não ocorreria tais abandonos e desleixos.
Mas como é feito essa proteção?
A constituição de patrimônios históricos e artísticos nacionais é feita através de determinados agentes, recrutados entre os intelectuais, e com instrumentos jurídicos específicos, que selecionam bens e lhes atribuem valor, enquanto manifestações culturais e enquanto símbolos da nação. Segundo Maria Cecília Londres Fonseca “esses bens passam a ser merecedores de proteção, visando à transmissão para as gerações futuras, nesse sentido, as políticas de preservação se propõem a atuar, basicamente, no nível simbólico, tendo como objetivo reforçar uma identidade coletiva, a educação e a formação de cidadãos.”

Para dar fim ao nosso debate não podemos esquecer que tanto a memória como o patrimônio trabalham com lembranças e esquecimentos, então ao construir a memória, o homem intervém não só na ordenação dos vestígios, dos registros, mas também na sua releitura.

Referências Bibliográficas



Silva, Orlando : A vida patriarcal de Sergipe
S.Sales Nascimento, Joceli,S.S Cecília,Magna, Bonjandim M. Guindo, Solimar: Patrimônio Móvel Da Família Corrêa Dantas; Uma Proposta Pedagógica. Aracaju-Se:Trabalho de Conclusão do Curso Educação Patrimonial Em Sergipe,2008.
http://www.blogger.com/profile/17077986128917619204
Acessado as 20:00 horas do dia 18/06/2010
http://www.defender.org.br/pernambuco-patrimonios-podem-virar-ruinas/
Nacional • Notícias • 18 de abril de 2010 por Silvana Losekann
Fonte: Diário de Pernambuco
Fonte: IPHAN

sexta-feira, 22 de agosto de 2008





A “praticidade” e o desperta do “mundo” português


Não existia um modo de ser colonizador, ao fazermos isso estamos cometendo o mesmo erro dos portugueses que generalizavam os índios como tupinambás.
Havia dois projetos como foram visto na semana passada, os dos colonizadores brancos e dos jesuítas mais todos estavam ligados à mesma cultura, ou seja, a portuguesa, mergulhados na mesma civilização apesar dos colonizadores serem europeus herdeiros de uma cultura greco-romana, existe diferentes maneiras de ser colonizador.
Os colonizadores portugueses diferenciam-se também de outros colonizadores europeus como no caso dos franceses, que considerava os índios como algo exótico, pois os franceses enxergavam o índio através da diferença cultural entre ambos.
Já os portugueses não usavam o termo diferente, mas faziam uma comparação da sua cultura com a do outro procurando encontra semelhanças para introduzi a sua cultura.
Esse processo era feito pelos portugueses de acordo com a racionalidade deles de acordo com a sua cultura.
Sobre a inquisição podemos afirma que os índios não foram perseguidos, pois, para o catolicismo, o índio pecava sem noção do seu pecado, por não terem sido batizados, já o mameluco sim, tinha consciência do pecado, no caso do mameluco Simão Rodrigues que foi acusado de herético por comer carne em dia santo e tatuar seu corpo.
Ao praticar tais ações, ele estava se comportando como índio. Para a inquisição todos deveria passar por uma transformação só que cada um de maneira diferente E assim Durante a inquisição nenhum índio era condenado.
Nessa aula vimos que os portugueses comparavam a sua cultura com a dos índios universalizando o mundo indígena ao seu mundo português.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Carta de Tolosa - Parte III

Esta terceira parte da carta revela-nos a natureza hostil que os jesuítas enfrentavam ao sair do Rio Real ao Rio São Francisco. Tolosa também retrata a alimentação e as viagens dos jesuítas de uma aldeia para outra, além disso, outra vez é explícito na carta que os índios pediam a catequese.
Gaspar Lourenço vai visitar uma aldeia, desta vez é a de Surubi, deixando os índios preocupados, pois estes sabiam da fama da tribo de Surubi, que tinha o costume de matarem brancos. Por estar temerosos os índios catequizados queriam acompanhar Gaspar na missão, este por sua vez, prefere ir somente com o seu companheiro (João Solônio).
Quando Gaspar chega a aldeia de Surubi, é bem recebido e apesar da fama que Surubi tinha de ser um assassino dos brancos, o jesuíta Gaspar Lourenço consegue converte-lo a fé cristã, observamos com isso que Tolosa tenta transmitir que as missões estavam sendo um sucesso.
Apesar de todo o esforço de Tolosa para demonstrar que as missões estavam bem, em alguns trechos da carta elas deixa implícito fragmentos que mostram a resistência de alguns índios que não queriam ser catequizados.
Os padres que eram enviados para as missões eram poucos e as aldeias catequizadas possuíam uma enorme quantidade de índios, por este motivo, os jesuítas optaram por batizar somente os índios que estavam morrendo, para que estes não fossem para o enfermo.
Com este processo de catequização, os padres acabavam facilitando o seu trabalho nas missões.
Chegamos à conclusão que o objetivo final da carta de tolosa é transmitir o sucesso da missão.
Devemos analisar que existem diferenças entre os criadores de gado e os jesuítas.
Enquanto os jesuítas trabalhavam com o psicológico dos índios visando benefícios a longo prazo os colonizadores visavam o lucro imediato.

terça-feira, 19 de agosto de 2008


A carta de tolosa- parte II

Nessa segunda parte da carta observamos os jesuítas inserindo os valores cristãos através da construção da primeira igreja Sergipana à igreja de São Tomé, O cristianismo aos poucos vai se firmando no dia dos primeiros habitantes ocorrendo à imposição de uma nova cultura.
Lourenço é visto como um apaziguador e edificante através do olhar de Tolosa relatando a evolução da companhia pelo rio Real e São Francisco mostrando que é positivo e de grande importância para a colonização à presença da Companhia de Jesus naquele território.
O termo demônio é usado para retratar todos os que causavam problemas a catequização
Como os índios que resistiam e os criadores de gado.
São inseridas culturas materiais como a cruz e imateriais, rezas, cantos, procissões. Entre a cultura imaterial, está presente o Batismo, ele passa a fazer parte do cotidiano indígena como algo que trará a salvação da alma. Tolosa deixa explícito que os próprios índios pediam para que fossem batizados fazendo assim uma apologia as campanhas tentando mostrar sua eficiência. Na segunda parte, o documento transmitiu que nem com algumas dificuldades encontradas os missionários desistiam da sua missão mesmo com a resistência por alguns índios, eles sempre contornavam a situação, fazendo com que os nativos os seguissem, e apenas uma minoria os ignorasse.
Tolosa tenta mostrar que esta resistência era de uma minoria ao mostrar Gaspar meio preocupado com Surubim, um índio que já tinha matado brancos em outras ocasiões. Neste trecho Tolosa demonstrar o sucesso que estava sendo a Companhia de Jesus e que o padre Gaspar Lourenço era respeitado pela maioria dos índios ao mostrar o índio assustado com Lourenço ao chegar falando na aldeia.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008



A carta de Tolosa como documento histórico de Sergipe I

Não temos registros escritos por Lourenço nem pelos índios, como os documentos são fontes indispensáveis para um historiador desenvolver suas analises criticas e conhecer melhor certos fatos buscamos algo que nos revele tais fatos escondidos por entre linhas de outros que escreveram.
Por isso as cartas, inclusive a de tolosa que iremos debater são de fundamental importância, para mostrar a vida de homens de carne e osso que viveram
naquele tempo interagindo com o seu mundo , algo que enriquece ainda mais o conteúdo histórico pois informa sobre a cultura do século XVI seja ela indígena ou dos demais colonizadores se tratando de um documento da época e sobre a época.
A carta de Tolosa foi escrita com o intuito de informar ao rei de Portugal como estava sendo a atuação da Companhia de Jesus na formação da catequese dos indígenas que eram considerados “bárbaros".
Elas eram alem de informativas, edificantes, vendo o mundo de forma etnocêntrica, informando que a corte portuguesa que a catequização em Sergipe estava dando certo, pois assim, os colonizadores portugueses continuariam seus trabalhos.
Tolosa então escreveu trechos que da o entender que eram os propios índios que pediam para os jesuítas mostrarem o caminho da fé.
Mais os índios não tinham noção de pecado, esse pecado foi introduzido pelos portugueses.
A região do rio real era considerada um trecho onde ficavam contidos os selvagens, ou seja, aqueles que não eram catequizados, pois resistiam,havia também outros obstáculos como a presença dos franceses fazendo aliança com os primeiros habitantes, mas os jesuítas sempre davam um jeito de contornar a situação segundo a carta , como forma de enaltecer as missões e mostra o seu sucesso.
Essa primeira avaliação da carta nos mostra o ideal para qual a carta foi escrita e algumas das dificuldades encontradas pelos jesuítas.